Fatos sobre o desaparecimento das crianças Yanomami

June 29, 2020

Foto: Emily Costa/Amazônia Real

 

Nos últimos dias, ganharam destaque postagens nas redes sociais utilizando as hashtags #sosyanomami e #criançasyanomami. Os usuários do Twitter denunciavam o desparecimento de três crianças indígenas da etnia Yanomami, grupo Sanöma, que em maio foram levadas de suas aldeiais junto às suas mães para Boa Vista (Roraima). As crianças e suas mães estavam com suspeita de pneumonia e foram conduzidas à capital para tratamento médico. Depois de dias no hospital, as crianças morreram - a supeita é que tenham sido contamidas por Covid-19 no hospital - e seus corpos desapareceram. A mobilização nas redes sociais cobra respostas das autoridades para a situação. A Eté listou os fatos até agora conhecidos e seguirá acompanhando o caso. 

1. As crianças Yanomami morreram entre 28 de abril e 25 de maio em hospitais em Roraima. Os casos são identificados como Covid-19 ou suspeitos;

 

2. Uma das mulheres indígenas entrou em contato com a jornalista Eliane Brum, do jornal El País, e relatou o acontecido: falando em sua língua, Sanöma, a mulher contou que depois que seu filho morreu, seu corpo desapareceu e ela não sabia seu paradeiro. Ela e as outras mulheres não falam português e não havia tradutores de Sanöma disponíveis para a garantia do direito do atendimento à saúde. 

 

3. Muitos dos tweets de ativistas (exemplos aqui e aqui) chamaram atenção para um agravante: o risco de os corpos das crianças terem sido enterrados, o que violaria outro direito dos povos indígenas: o cumprimento de seus rituais tradicionais. Muitos dos grupos Yanomamis não enterram os corpos de seus mortos, e sim realizam um ritual de cremação. Esta tese de doutorado em Antropologia Social defendida na Universidade de São Paulo confirma a prática do ritual. 

 

4. Na noite de ontem (28), a agência de jornalismo independente e investigativo Amazônia Real publicou reportagem afirmando ter localizado os corpos de três crianças Yanomamis, dois deles do grupo Sanöma. Segundo a agência, eles estão sepultados em um cemitério em Boa Vista. Haveria, ainda, um quarto bebê Sanöma, nascido prematuro, encontrado no Instituto Médico Legal (IML). 

 

5. As mães das crianças seguem sem informações oficiais sobre a localização dos corpos. Em vídeo disponibilizado para redação desta reportagem, uma das mulheres, Lucita Sanumã, afirmou que voltará à sua comunidade no dia 11 de julho e que precisa levar o corpo de seu bebê consigo. 

6. Após a mobilização nas redes, Ministério Público Federal de Roraima divulgou nota no sábado informando que "segue trabalhando, junto aos órgãos responsáveis, para a execução das melhores soluções possíveis para a proteção da saúde dos povos indígenas e respeito aos seus rituais fúnebres". Apesar de não confirmar oficialmente o destino dos corpos, a nota afirma que, em investigações preliminares "o MPF foi foi informado de três óbitos de bebês por covid-19, sepultados no cemitério Campo da Saudade, e um outro óbito, não relacionado à covid-19, que aguarda liberação para retorno à comunidade de origem junto com os pais". 

 

7. A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) segue, no dia de hoje, convocando campanha nas redes sociais pela devolução dos corpos das crianças Yanomami. 

 

8. A Eté entrou em contato com a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai) e a Fundação Nacional do Índio (Funai). A Funai informou, em nota, "que se trata de uma demanda de competência da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). A Funai não cuida diretamente da saúde indígena". A Sesai, por sua vez, não respondeu nossa solicitação até o fechamento desta checagem. 

 

 

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