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Haddad: "como prefeito, fiz uma comissão municipal da verdade que desvendou valas comuns em que


Na noite de ontem (26), Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, participou ao vivo de sabatina realizada pela TVE da Bahia. Ao ser perguntado sobre ações do Estado brasileiro para reparação dos crimes da ditadura militar, afirmou: "Quem tem a prerrogativa de dizer o alcance da Lei de Anistia é o STF, não o executivo. E há várias ações em curso dizendo que vários crimes não são perdoáveis, como o caso do [Vladimir] Herzog. (...) Há vários organismos, inclusive internacionais, cobrando providências das autoridades brasileiras. O poder executivo fez o seu trabalho. Eu, como prefeito [de São Paulo], fiz uma comissão municipal da verdade que desvendou várias questões, inclusive sobre Perus, onde pessoas que foram mortas pela ditadura foram enterradas em valas comuns como indigentes". Checamos a informação.

Fernando Haddad foi prefeito da cidade de São Paulo entre 2013 e 2016. Em 2014, foi formada a Comissão Municipal da Verdade e da Memória, que entregou seu relatório final em 2016. Chefiada pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, a comissão consolidou dados e provas das violações aos direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1988 e que tiveram a própria prefeitura e seus servidores como violadores ou como vítimas.

Aqui, você pode ler o relatório final da comissão em sua íntegra, que traz 36 recomendações para nortear ações do poder executivo municipal, em diferentes áreas (educação, cultura, saúde, segurança, direitos humanos), no sentido da reparação das vítimas da ditadura. Um dos pontos de que trata o relatório é a criação de uma vala clandestina dedicada à ocultação de cadáveres de opositores do regime e de cidadãos mortos pelo esquadrão da morte. Foram enterrados em São Paulo como indigentes 47 opositores do regime assassinados pela repressão.

Além disso, o relatório aponta o apoio da gestão de Paulo Maluf para garantia de pavimentação, água e luz ao prédio da Rua Tutóia onde funcionaria, de maneira clandestina, o centro de tortura e informação batizado de Operação Bandeirante, a Oban.


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