©2018 by Eté.

Design Isabela Avellar

"Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Tudo é coitadismo no Brasil. Vamos acabar com isso", diz Bolsonaro. É falso!

October 26, 2018

Em entrevista a TV Cidade Verde, do Piauí, o candidato a presidência Jair Bolsonaro afirmou que os programas de políticas públicas para mulheres, negros, população LGBT e nordestino seriam "coitadismo". "Você não tem que ter uma política para isso. Isso não pode continuar existindo, tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Tudo é coitadismo no Brasil. Vamos acabar com isso", afirmou. Esse dado é:

 

 

Sabemos que o Brasil é um país desigual. Mostraremos aqui índices relativos às desigualdades que afetam os quatro grupos citados pelo candidato:

 

MULHERES

 

No Brasil, mulheres ainda ganham menos do que os homens, por exemplo. Os dados sistematizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estudo de Estatísticas de Gênero (divulgado em março deste ano e elaborado com base em dados de 2016) demonstram significativa incidência de diferença salarial entre homens e mulheres. Mas, segundo o estudo, as mulheres ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. A média salarial geral é de R$ 2.306 para homens e R$ 1.704 para mulheres. Isso significa que, para elas, na média nacional os rendimentos são 23,5% menores do que para eles, e não 30%, como afirmou o candidato. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/IBGE) referente ao segundo semestre de 2018 indica que a média salarial entre homens está em R$ 2.426 e, entre as mulheres, em R$ 1.864. Assim, na média geral as mulheres continuam ganhando 76,5% do salário dos homens (ou 23,5% a menos que eles). A Pnad Contínua também mostrou que, embora as mulheres sejam maioria (52,4%) entre as pessoas em idade de trabalhar, são minoria entre as pessoas efetivamente ocupadas. Entre aqueles que trabalham, os homens são 56,3%. Isso significa que o desemprego no Brasil é maior entre as mulheres. 

 

O estudo de estatísticas de gênero também mostra grandes disparidades raciais nos salários do país. Entre pessoas brancas, o salário médio é de R$ 3.087 para homens e R$ 2.234 para mulheres. Já entre a população preta e parda, o salário médio é de R$ 1.624 para homens e R$ 1.283 para mulheres.  Considerando a diferença entre o salário de homens brancos e mulheres negras, elas ganham 58,44% a menos que eles. As mulheres brancas ganham 27,63% a menos que os homens brancos; e as mulheres negras ganham 21% a menos que os homens negros. Comparados os salários de homens negros e mulheres brancas, elas ganham mais: os homens negros ganham 27,3% a menos que mulheres brancas no Brasil, na média identificada pelo IBGE.

 

Além disso, a pesquisa do IBGE demonstra que mulheres dedicam 73% de tempo a mais do que os homens para trabalhos domésticos (18 horas semanais para mulheres contra 10,5 para homens). Outro dado relevante mostra que o número de mulheres atuando em regimes de trabalho parciais (de até 30 horas por semana) é o dobro do de homens. Entre as mulheres empregadas, 28,2% estão nesse tipo de regime. O percentual para homens empregados atuando em regimes parciais é de 14,1%.

 

 

 

NEGROS

 

 

Fonte: IBGE, em As cores da desigualdade.

 

 

 

LGBTQI

 

O último relatório  do Grupo Gay da Bahia (GGB) apontou que 445 pessoas LGBTI foram mortas no Brasil em 2017, o que configura uma morte a cada 19 horas. O GGB é uma Organização Não-Governamental que atua há 38 anos levantando dados sobre violência LGBTIfóbica no país. A pesquisa deste ano aponta que o número de mortes, 30% maior do que o registrado em 2016, é o mais alto desde que a contabilização começou a ser feita, em 1980.

 

Já o relatório Estado dos Direitos Humanos no Mundo, elaborado pela Anistia Internacional, aponta, tomando como base os dados obtidos pelo GGB, que esse número coloca o Brasil na posição de país que mais assassina a população LGBTI no mundo.

 

 

NORDESTINOS

 

Rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente, segundo Unidades da Federação em 2017

Rendimento per capita Brasil R$ 1.268

Rondônia R$ 957

Acre R$ 76 9

AmazonasR$ 850

Roraima R$ 1.006

Pará R$ 715

Amapá R$ 936

Tocantins R$ 937

Maranhão R$ 597

Piauí R$ 750

Ceará R$ 824

Rio Grande do Norte R$ 845

Paraíba R$ 928

Pernambuco R$ 852

Alagoas R$ 658

Sergipe R$ 834

Bahia R$ 862

Minas Gerais R$ 1.224

Espírito Santo R$ 1.205

Rio de Janeiro R$ 1.445

São Paulo R$ 1.712

Paraná R$ 1.472

Santa Catarina R$ 1.597

Rio Grande do Sul R$ 1.635

Mato Grosso do Su lR$ 1.291

Mato Grosso R$ 1.247

Goiás R$ 1.277

Distrito Federal R$ 2.548

 

O rendimento domiciliar per capita é calculado como a razão entre o total dos rendimentos domiciliares (em termos nominais) e o total dos moradores. São considerados os rendimentos de trabalho e de outras fontes de todos os moradores, inclusive os classificados como pensionistas, empregados domésticos e parentes dos empregados domésticos. Os valores foram obtidos a partir dos rendimentos brutos efetivamente recebidos no mês de referência da pesquisa, acumulando as informações das primeiras entrevistas do 1o, 2o, 3o e 4o trimestres da PNAD Contínua de 2017.

 

Please reload

Posts Recentes

Please reload

Arquivo

Please reload

Tags

Please reload