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É falsa afirmação de que os EUA teriam identificado ações do Hezbollah, do Irã e da Venezuela nas eleições brasileiras

October 25, 2018

Vídeo que circula nas redes sociais afirma que EUA "detectaram ações" nas eleições do Brasil (Reprodução/YouTube)

 

Nos últimos cinco dias, começou a circular intensamente nas redes sociais um vídeo afirmando que os Estados Unidos teriam "detectado" ações do Hezbollah (organização política e paramilitar xiita do Líbano), do Irã e da Venezuela para desestabilizar e interferir nas eleições do Brasil. O vídeo, que já passa de um milhão e oitocentas mil visualizações, é de Joice Hasselmann (deputada federal eleita neste ano pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro) e foi postado em seu canal oficial do YouTube. Checamos a informação. 

 

Não há qualquer declaração pública do Departamento de Estado, das agências de inteligência ou do governo dos EUA sobre essa identificação, pelo país, de intervenção do grupo Hezbollah, do Irã ou da Venezuela nas eleições brasileiras. O que o vídeo traz é um documento que teria sido enviado por um congressista do Partido Republicano dos Estados Unidos, Dana Rohrabacher, a Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA. O texto foi atribuído a Rohrabacher por matéria publicada pela Veja no último dia 20. O congressista não se manifestou publicamente ou em suas redes sociais sobre o tema, mesmo quando abordado por eleitores brasileiros. 

O documento publicado pela Veja e repercutido pelo vídeo de Joice Hasselmann afirma que o autor teria "recebido relatos" sobre tais interferências e que se preocupa com a segurança dos candidatos e a integridade do processo eleitoral. Cita o fato de Jair Bolsonaro ter sido esfaqueado e ter obtido 46% dos votos no primeiro turno e pede ao secretário que "tanto quanto possível", "faça o que se possa fazer para garantir que as eleições no Brasil seja livres e justas". 


Diferentemente do que afirmou Joice Hasselmann, não há qualquer "detecção" pelos EUA, em qualquer instância do Estado, de tais intervenções. O que existe é um texto possivelmente enviado - o que não foi confirmado - por um congressista, que não cita fontes e apenas diz ter "recebido relatos". Também diferentemente do que disse Joice Hasselmann, o texto atribuído ao congressista não fala que este "temeria por um segundo ataque ao candidato Jair Bolsonaro". A deputada eleita diz ainda que "o governo americano não vai lavar as mãos pra isso. Pode não ter anúncio oficial, mas certamente essa turma que está tentando interferir vai receber um recado muito claro de contra-ataque", afirmando, sem qualquer comprovação, que os EUA interviriam no processo eleitoral brasileiro para evitar as alegas intervenções. 

O suposto autor do documento, congressista republicano Dana Rohrabacher, é conhecido por suas declarações polêmicas e defendeu as práticas de tortura que o governo Bush assumiu ter feito para obtenção de rendições no Afeganistão. Na ocasião, disse a um interlocutor crítico das práticas que "esperava que fosse a família dele" a ser morta por ataques terroristas. 
 

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