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Fernando Haddad no Roda Viva: “meu adversário tem como herói o torturador mais bárbaro da ditadura militar”. Informação é verdadeira

October 23, 2018

 

Na noite de ontem, 22, o candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) foi entrevistado pelo Programa Roda Viva, da TV Cultura, e declarou: “meu adversário é uma pessoa que cultua a tortura. Que tem como principal herói o torturador mais bárbaro da ditadura militar”. Checamos a declaração.

 

O candidato Jair Bolsonaro, do PSL, em diversas ocasiões homenageou e fez deferências a Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel que chefiou o Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) em São Paulo durante a Ditadura Militar e foi responsável por comandar sessões de tortura que incluíram crianças. Ustra morreu em 2015. Em 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo reafirmou a sentença que reconhece a responsabilidade de Ustra pela tortura a César Augusto Teles, Maria Amélia de Almeida Teles e Criméia Alice Schmidt de Almeida. O caso é um dos mais emblemáticos crimes da ditadura brasileira: na ocasião, Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, foi submetida a espancamentos no pau-de-arara e choques na chamada Cadeira do Dragão. Seus filhos, que à época tinham quatro e cinco anos, foram levados a uma sala para encontrá-la desfigurada, nua, urinada e vomitada após as sessões de tortura. O marido de Maria Amélia Teles foi torturado e assassinado pelo Doi-Codi. Aqui e aqui, você pode conferir relatos de Maria Amélia.


Em 2016, Jair Bolsonaro dedicou a Ustra o seu voto favorável ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff: “pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, disse. A ex-presidenta Dilma foi presa e torturada pela ditadura militar em 1970. Em julho deste ano, em entrevista ao Roda Vida, Jair Bolsonaro declarou que seu livro de cabeceira é “Verdade Sufocada”, escrito por Ustra. Eduardo Bolsonaro, filho do candidato e reeleito deputado federal, já posou para fotos usando camisetas com a imagem de Ustra e os dizeres “Ustra vive”. Na ocasião, postou em suas redes  sociais a foto e um texto em que dizia “hoje Ustra vive nos corredores da Câmara dos Deputados”. O ex-coronel é o único militar brasileiro reconhecido como torturador pela justiça brasileira.

 

Além do relato de Maria Amélia Teles, outro caso que ganhou notoriedade foi o de Gilberto Natalini, atualmente médico e vereador pelo Partido Verde em São Paulo. Em 1972, aos 19 anos, foi torturado por Ustra. Foi submetido a choques elétricos diários. “Tiraram a minha roupa e me obrigaram a subir em duas latas. Conectaram fios ao meu corpo e me jogaram água com sal. Enquanto me dava choques, Ustra me batia com um cipó e gritava me pedindo informações", declarou em entrevista à BBC em 2016.

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