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Boulos: “mulheres ganham 30% a menos que o homens e o Brasil é o 5º em violência contra mulher no mundo”. Checamos!

September 22, 2018

 Guilherme Boulos no debate da TV Aparecida. Foto: reprodução/TV Aparecida

 

No debate realizado pela TV Aparecida na noite da última quinta (20), Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Presidência, afirmou: “as mulheres ganham 30% menos que os homens, especialmente as mulheres negras; e o Brasil é o quinto país em violência contra a mulher no mundo”. A Eté checou os dados.

 

 

DIFERENÇA SALARIAL

 

Os dados sistematizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estudo de Estatísticas de Gênero (divulgado em março deste ano e elaborado com base em dados de 2016) demonstram significativa incidência de diferença salarial entre homens e mulheres. Mas, segundo o estudo, as mulheres ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. A média salarial geral é de R$ 2.306 para homens e R$ 1.704 para mulheres. Isso significa que, para elas, na média nacional os rendimentos são 23,5% menores do que para eles, e não 30%, como afirmou o candidato. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/IBGE) referente ao segundo semestre de 2018 indica que a média salarial entre homens está em R$ 2.426 e, entre as mulheres, em R$ 1.864. Assim, na média geral as mulheres continuam ganhando 76,5% do salário dos homens (ou 23,5% a menos que eles). A Pnad Contínua também mostrou que, embora as mulheres sejam maioria (52,4%) entre as pessoas em idade de trabalhar, são minoria entre as pessoas efetivamente ocupadas. Entre aqueles que trabalham, os homens são 56,3%. Isso significa que o desemprego no Brasil é maior entre as mulheres. 

 

O estudo de estatísticas de gênero também mostra grandes disparidades raciais nos salários do país. Entre pessoas brancas, o salário médio é de R$ 3.087 para homens e R$ 2.234 para mulheres. Já entre a população preta e parda, o salário médio é de R$ 1.624 para homens e R$ 1.283 para mulheres.  Considerando a diferença entre o salário de homens brancos e mulheres negras, elas ganham 58,44% a menos que eles. As mulheres brancas ganham 27,63% a menos que os homens brancos; e as mulheres negras ganham 21% a menos que os homens negros. Comparados os salários de homens negros e mulheres brancas, elas ganham mais: os homens negros ganham 27,3% a menos que mulheres brancas no Brasil, na média identificada pelo IBGE.

 

Além disso, a pesquisa do IBGE demonstra que mulheres dedicam 73% de tempo a mais do que os homens para trabalhos domésticos (18 horas semanais para mulheres contra 10,5 para homens). Outro dado relevante mostra que o número de mulheres atuando em regimes de trabalho parciais (de até 30 horas por semana) é o dobro do de homens. Entre as mulheres empregadas, 28,2% estão nesse tipo de regime. O percentual para homens empregados atuando em regimes parciais é de 14,1%.

 

FEMINICÍDIO

 

Quanto aos índices de violência, a informação apresentada pelo candidato está correta. Segundo o Mapa da Violência de 2015, organizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, o Brasil é o 5º país do mundo, em um grupo de 83 países, em que mais se matam mulheres. Ficamos atrás de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Federação Russa (veja tabela na página 28 do documento). Segundo a mesma pesquisa, número de feminicídios no Brasil aumentou 21% entre 2003 e 2013. Os números foram obtidos a partir do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde (MS). Para as comparações internacionais, foram utilizadas as bases de dados de mortalidade da Organização Mundial da Saúde, a mesma utilizada pelo SIM brasileiro. Os pesquisadores ressaltam que, como os países-membro atualizam suas informações em datas muito diferentes, foram usados os últimos dados disponibilizados entre 2010 e 2013. Por esses critérios, foi possível completar os dados de homicídios femininos de 83 países do mundo, incluindo o Brasil.

 

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