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Segundo Alckmin, mudança de metodologia justificaria queda nos índices de educação básica em SP. Checamos!

September 9, 2018

 Foto: Vanessa Carvalho

 

Os resultados do Índice Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2017 foram apresentados na última segunda, 3, pelo Ministério da Educação e o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anisio Teixeira (Inep). A rede estadual de São Paulo, que em 2015 registrava os índices mais altos nas três etapas escolares avaliadas, perdeu a liderança em todos os níveis. Tanto no 5º quanto no 9º ano do Ensino Fundamental, a rede paulista caiu da primeira para a terceira posição. Quanto ao Ensino Médio, os índices obtidos pelo estado de São Paulo o tiraram da primeira posição em 2015 e levaram para o quarto lugar em 2017.

 

No último dia 5, a Folha de São Paulo publicou a reportagem “Alckmin culpa metodologia por queda da educação de SP”. O candidato à Presidência pelo PSDB governou o estado consecutivamente por dois mandatos, até abril deste ano (quando renunciou para se candidatar a presidente). Segundo o jornal, Alckmin afirmou: “A portaria do MEC [Ministério da Educação] dizia que o ensino médio das escolas técnicas talvez era pra valer [para o índice]. Depois o Inep tirou”. Disse, ainda, que “quem faz o ensino médio na [escola técnica] Paula Souza, faz vestibulinho, são os melhores alunos”. Segundo o candidato, o fato de o Inep ter retirado as escolas técnicas do cálculo do Ideb explicaria a queda da pontuação obtida pela rede estadual de São Paulo. De acordo com essa mesma reportagem da Folha de São Paulo, o MEC afirmou que as escolas técnicas nunca foram consideradas na série histórica para avaliação de municípios e estados. Assim, segundo o jornal, o argumento do candidato não se sustentaria.

 

A Eté checou a informação e concluiu que o conteúdo da declaração de Alckmin é:

 

Criado em 2007, o Ideb é um índice que varia de zero a 10 e é calculado a partir de dois indicadores: o fluxo escolar e as médias de desempenho dos estudantes em avaliações. O índice nacional e de cada estado, assim, é elaborado a partir dos dados sobre aprovação obtidos no Censo Escolar e das médias de desempenho dos estudantes no Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica. Para os municípios, o índice é calculado a partir dos dados do Censo Escolar e dos resultados da Prova Brasil.

 

HOUVE MUDANÇA DE METODOLOGIA?

 

A Eté buscou informações do Ministério e do Inep para checar os dados. Segundo nota do Inep, a mudança ocorrida refere-se à aplicação das provas do Saeb para o ensino médio: “Até 2015, os resultados do ensino médio, diferentemente do ensino fundamental, eram obtidos a partir de uma amostra de escolas. A partir da edição de 2017, o Saeb passou a ser aplicado a todas as escolas públicas e, por adesão, às escolas privadas. Pela primeira vez, o Inep passou a calcular o Ideb para as escolas de ensino médio”. De acordo com pronunciamento do ministro da Educação, Rossieli Soares, isso significa que agora é possível obter também um diagnóstico por escolas no ensino médio, com índices calculados especificamente para cada instituição de ensino. Desse resultado individual por escola, constam os dados das escolas técnicas, inclusive as de São Paulo, como mostram os resultados divulgados pelo Inep.

 

No entanto, os documentos do Inep não indicam mudanças de metodologia para obtenção dos índices de cada estado. Uma comparação entre as notas informativas do Ideb de 2011 e 2017 demonstra a manutenção da metodologia para obtenção dos índices por região e unidade da federação. Cabe destacar que a Eté não encontrou declarações específicas nos canais oficiais do MEC e do Inep sobre a inclusão ou exclusão das escolas de educação profissional técnica de nível médio para o cálculo do Ideb por estado em 2017. Assim, não foi possível confirmar as informações veiculadas pela Folha de São Paulo. Nossa apuração está baseada inteiramente nos dados públicos divulgados pelas instituições.

 

REDE ESTADUAL DE SP E O CENTRO PAULA SOUZA

 

Outro elemento que merece destaque é a referência feita pelo candidato Alckmin aos “estudantes da Paula Souza”, que seriam “os melhores alunos”. O Centro Paula Souza, na verdade, não é uma escola técnica, como indicou a citada reportagem da Folha de São Paulo, e sim uma estrutura vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado de São Paulo. O Centro administra Faculdades de Tecnologia (Fatecs), Escolas Técnicas (Etecs) estaduais e também unidades que funcionam com cursos técnicos sob a supervisão de uma Etec. Há, nas Etecs, tanto cursos de ensino médio integrado à educação profissional, quanto cursos de ensino profissional técnico. A estrutura, portanto, não está ligada à Secretaria de Educação do estado de São Paulo.

 

RESULTADOS

 

Como mostram os gráficos abaixo, divulgados pelo Inep, São Paulo é um dos cinco estados brasileiros cujos índices referentes ao ensino médio decaíram de 2015 para 2017. 

 

Resultados Ideb 2017: 5º ano do Ensino Fundamental 

 

Resultados Ideb 2017: 9º ano do Ensino Fundamental 

 

 Resultados Ideb 2017: Ensino Médio

 

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