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Marina, no JN: “80% do trabalho doméstico é feito por mulheres”. Checamos!

August 31, 2018

 Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

 

 

Marina Silva foi a entrevistada do Jornal Nacional, da Rede Globo, na última quinta-feira (30). A candidata à Presidência pela Rede/Coligação Unidos para Transformar o Brasil defendeu uma reforma da previdência e afirmou que manteria, em seu governo, a diferença de idade mínima para aposentadoria entre homens e mulheres. "A Universidade Federal de Minas Gerais fez um estudo e mostrou que 80% das atividades domésticas são feitas por mulheres”, disse, argumentando que a sobrecarga de trabalho, em sua opinião, justifica que as mulheres se aposentem mais cedo. A Eté conferiu os dados citados e o conteúdo é:

 

 

A tese de doutorado “Trabalho doméstico não remunerado no Brasil: uma análise de produção, consumo e transferência”, apresentada recentemente pela pesquisadora Jordana Cristina de Jesus no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG), indica que as mulheres são responsáveis por 85% do trabalho doméstico total no Brasil . O estudo ainda não está disponível para consulta no sistema de biblioteca digital da UFMG, mas uma reportagem da própria universidade apresentou seus principais resultados. 

 

Jordana de Jesus demonstrou que um homem de 30 anos de idade realiza, em média, uma hora de trabalho doméstico por dia, enquanto uma mulher da mesma idade produz quatro horas por dia desse tipo de trabalho. A pesquisa trata das atividades realizadas no lar, como lavar roupas, cozinhar e limpar a casa, e se debruça sobre a chamada “transferência de tempo”. Essa transferência ocorre quando uma pessoa dedica suas horas a tarefas do lar que irão beneficiar as outras que ali convivem. É assim que aqueles que não realizam tais tarefas adquirem mais tempo livre para se dedicar a outras atividades.

 

Segundo a tese de Jordana de Jesus, o tempo dedicado às tarefas de casa varia de acordo com o nível de escolaridade das mulheres – as menos escolarizadas realizam mais trabalho doméstico não remunerado –, mas se mantém para os homens independentemente de quanto tempo tenham estudado. Mulheres de 25 anos com até três anos de escolaridade gastam, em média, quase seis horas por dia com tarefas domésticas não remuneradas, enquanto aquelas que estudaram por mais de 12 anos dedicam, em média, menos de duas horas por dia aos mesmos serviços. Entre os homens, segundo a autora, além de a quantidade de horas dedicadas ao trabalho doméstico não variar de acordo com a escolaridade, o mais comum é que ele seja feito apenas para consumo próprio.

 

A estimativa da autora é que, dos 23 aos 80 anos, as mulheres passem mais tempo realizando trabalho doméstico para os outros membros da família do que para si. Em lares pobres, a partir dos 13 anos as meninas já começam a trabalhar mais em casa para a família do que para o próprio benefício. Os homens, em qualquer nível de renda, são beneficiados pela transferência de tempo, recebendo mais tarefas domésticas realizadas do que as produzindo.

 

A pesquisa foi elaborada a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de ­Domicílios (Pnad) de 2013 e de 2016. No entanto, os dados sobre trabalho doméstico da Pnad são restritos ao tempo gasto para manutenção da casa, desconsiderando as horas dedicadas ao cuidado com crianças, idosos e deficientes. O número total de horas, assim, é subnotificado, afetando o cálculo geral da transferência de tempo. Por esse motivo, a pesquisadora optou, metodologicamente, por elaborar sua estimativa combinando os dados da Pnad com informações obtidas por outra pesquisa, que tratou do uso do tempo na Colômbia, já que o país compartilha características relevantes com o Brasil dos pontos de vista sociodemográfico, econômico e cultural.

 

Portanto, ressaltamos que, apesar de a referência feita pela candidata Marina Silva aos dados do estudo da UFMG estar correta, os resultados são fruto de uma pesquisa que combinou dados públicos com uma estimativa baseada em similaridades regionais.

 

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