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Alckmin: “a mulher ganha de 15 a 62% a menos que o homem”. Checamos!

August 28, 2018

 Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

 

Em vídeo, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB/Coligação Para Unir o Brasil) afirmou: “A mulher tem o desemprego mais alto e ganha – isso é (dado do) IBGE – de 15% a 62% menos que o homem. Isso é inacreditável. Nós precisamos ser justos com as mulheres”. A peça foi postada na conta oficial no Twitter de Ana Amélia, candidata a vice na chapa de Geraldo Alckmin, e compartilhado pelo próprio candidato na mesma rede social. A Eté checou os dados sobre diferença salarial no Brasil e concluiu que a informação divulgada por Alckmin é:

 

 

 

 

 

Os dados sistematizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estudo de Estatísticas de Gênero (divulgado em março deste ano e baseado em dados de 2016) de fato demonstram significativa incidência de diferença salarial entre homens e mulheres e confirmam que a taxa de desemprego é maior para elas. Mas os números diferem daqueles informados pelo candidato. Segundo o estudo, as mulheres ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. A média salarial geral é de R$ 2.306 para homens e R$ 1.704 para mulheres. Isso significa que, para elas, na média nacional os rendimentos são 23,5% menores do que para eles. O IBGE não relata o percentual de 62% a menos para salários de mulheres, como afirmou Alckmin.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/IBGE) referente ao segundo semestre de 2018 indica que a média salarial entre homens está em R$ 2.426 e, entre as mulheres, em R$ 1.864. Assim, na média geral as mulheres continuam ganhando 76,5% do salário dos homens (ou 23,5% a menos que eles). A Pnad Contínua também mostrou que, embora as mulheres sejam maioria (52,4%) entre as pessoas em idade de trabalhar, são minoria entre as pessoas efetivamente ocupadas. Entre aqueles que trabalham, os homens são 56,3%. Isso significa que, de fato, como assinalou Alckmin, o desemprego no Brasil é maior entre as mulheres.

 

O estudo de estatísticas de gênero também mostra grandes disparidades raciais nos salários do país. Para pessoas brancas, o salário médio é de R$ 3.087 para homens e R$ 2.234 para mulheres. Já entre a população preta e parda, o salário médio é de R$ 1.624 para homens e R$ 1.283 para mulheres. Além disso, a pesquisa do IBGE demonstra que mulheres dedicam 73% de tempo a mais do que os homens para trabalhos domésticos (18,1 horas semanais para mulheres contra 10,5 para homens). Outro dado relevante mostra que o número de mulheres atuando em regimes de trabalho parciais (de até 30 horas por semana) é o dobro do de homens. Entre as mulheres empregadas, 28,2% estão nesse tipo de regime. O percentual para homens empregados atuando em regimes parciais é de 14,1%.

 

A referência encontrada pela Eté a respeito do percentual de 62% foi, na verdade, fruto de um estudo elaborado pelo Grupo Catho, empresa privada de classificados de empregos, mas diz respeito a outro indicador. Segundo o levantamento da empresa, em cargos de consultoria as mulheres podem chegar a receber 62% do salário dos homens, o que significa que ganham 38% a menos do que eles. Essa disparidade foi a maior entre os cargos e funções analisados pelo Catho, que incluíram desde presidentes e vice-presidentes até funções operacionais.

 

 

 

 

 

 

 

 

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